Frio e molhado...

Que dor de cabeça...
Onde estou?
Está frio. Está molhado. Onde estou?
Que lugar é esse?
No chão, estou jogado ao chão...
O que será que houve?
Não me lembro do que aconteceu. Apenas me lembro que...
Dor...
Ainda dói...
Minha cabeça, algo clama por paz...
Minha cabeça dá reviravoltas por dentro...
Algo está esquisito, algo está ruim, amargo...
Minha boca...
Não consigo mover meus braços...
Minhas mãos suplicam para que eles se movam, mas, apenas consigo fazer com que as mãos e um pouco dos pés se movam...
Mas, como caí?
Se caí, quando caí?
Não me lembro, mas sinto a dor...
Um barulho em minha mente, um baque surdo...
Algo em direção a mim, algo que despencou de algum lugar...
Um alguém?
Está muito frio, gélido...
Meu corpo instintivamente se encolhe...
Mesmo sem poder me ver por fora, sinto que vou formando uma posição fetal...
Quero proteção, sinto muito frio...
Algo molhado...
Está escuro, não dá para ver, mesmo que quisesse, está difícil me mover...
A cabeça lateja, cada vez mais...
Aquela pequena luz, um facho sem força, mas que brilha logo em frente...
Uma porta entreaberta...
Dói muito, parece que apertam meus ossos...
Esmagam minha cabeça!
Por que dói tanto?
Não agüento, preciso gritar, mas...
Nada sai...
Por muito tempo, após uma luta concentrada, movo alguns centímetros meu braço...
Toco minha face e sinto o frio...
Vem do chão, vem de baixo...
Água?
De onde vem essa água?
Estarei em uma poça, em um beco na rua, em um túnel assombrado?
Tenho que tentar me levantar, porém o frio, a dor, a exaustão, tudo, eles não deixam...
Tateio mais minha face, subo...
A água tomou conta de meu rosto, está respingado, devo ter caído de mal jeito...
Escorreguei...
Ainda continuo subindo...
Meu cabelo está ensopado...
Chego em minha nuca...
Molhado, água, frio e...
O que é isso?
Algo duro, um bico? Algum objeto que estava na água?
Prendeu em meus cabelos...
Tento tirar, mas dói, repuxa...
Não! Dói muito!
Algo como uma gelatina sai dali, mas a borda ainda espeta...
Volto com minha mão até minha fronte...
Preciso tentar ver o que é isso...
Pelo que tenho de luz a minha frente, transcorro minha mão até um ângulo que possa me favorecer de claridade...
É uma pedrinha, uma pedrinha vermelha...
Minha cabeça...
Frio...
Molhado...
Cabeça?
Molhado?
Bico?
Pedrinha?
Buraco?
Coágulo?
Oh meu deus!
Não é água! É sangue!
Não é pedrinha! É um coágulo!
Não é um objeto pontudo! É a borda de um burado!
Minha cabeça!
Cai e bati minha cabeça!
Meu Deus! Estou morrendo!
Isso tudo a baixo de mim é sangue!
A água que me esfria é sangue!
Não me movo. Algo me afetou!
Perdi minha movimentação, aos poucos caminho uma escuridão...
Tenho que me arrastar para a luz...
Estou sem forças...
A dor de cabeça aumenta, o buraco lateja...
Meus pés, meus braços, tudo se entrega...
A luz, minha única esperança...
Esvai-se...
O brilho daquela luz aumenta, a porta se abre...
Tenho uma ponta de esperança, mas logo em seguida perco-a...
Uma sombra se projeta sobre a luz, uma sombra, dois pés, uma vestimenta, e um objeto...
Passos a frente, um sapato, uma calça de linho, negra, e então cai...
Com força e sem nada para pará-lo...
É um martelo que o indivíduo portava...
Não caí, me acertaram...
Uma martelada em minha cabeça...
Não é água, é sangue...
Não é objeto, é um buraco...
Não vejo a luz, apenas a escuridão...
Aproximam-se, ambos, a escuridão e o tipo que acabara de chegar...
Meus olhos tentam lutar, mas a dor e o frio prevalecem...
Talvez haja paz...
Ainda me resta um pouco de força...
Abro novamente o que posso dos olhos...
O bastante para ver um rosto...
Ajoelhado ele me olha nos olhos...
Quando percebe, abre um sorriso escroto...
Fiel ao prazer que sentia...
Que psique terrível...
Retira o chapéu que possuía em sua cabeça e o põe no meio de suas pernas...
Com suas mãos enluvadas, pega em meu queixo e faz com que olhe para ele...
Dá uma piscadela, me deixa na posição ideal e põe sua mão para trás...
Arrasta algo do chão, algo metálico...
Quando vejo, com o rabo dos olhos, percebo que veio da porta até mim chutando o martelo...
O pega e ergue sobre minha cabeça...
Escorre-me uma lágrima...
Minha vida passa pela cabeça...
E a última imagem se eterniza naquela figura crua...
Gélido e encharcado, tenho meu fim...
Minha visão se torna turva segundos antes, e no momento do contato com aquela superfície assassina, gelada e molhada assim como eu, de meu próprio sangue, tudo escurece. Ainda tenho tempo de ouvir o barulho. Uma, duas, três. Algo se estraçalhando, Ferro e carne se beijando. Minha mente fica consciente por esse tempo e no quarto toque eu apago...
Está frio...
Está molhado...
Não importa mais...


4 Comments:
opa!!!
já tinha lido essa parte, mas ainda não tinha comentado né?
ficou mto legal, sabia?
mas tô bem bravinha com vc, viu?
nem me deu parabéns...
Deixa vc...
bjus
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Nossa, adorei!
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