Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

Truster & Hope - A resposta de Roy

Nova cidade. Novo bairro. Tudo mais tranqüilo do que antigamente. Era essa a idéia fixa na cabeça do mais novo morador daquela casa.
Realmente as lembraçnas do que havia acontecido naquela época já estava se dissipando. Com o tempo acabamos deixando que as memórias se vão, se escondam no canto de nosso cérebro. Algumas vezes lembramos, por estarmos vendo alguma imagem ou algum tipo de coisa que nos faça ligar uma uma a outra, mas bem ou mal, elas desaparecem. Foi então, passados três anos de uma tragédia em família – que poderia ter sido pior – que as memórias se foram por completo. Não perdia mais o sono à noite. Sua mulher não acordava gritando e suando frio altas horas da madrugada. Os sustos cessaram. Em fim, parecia que havia encontrado a paz.
Em uma manhã na época das férias, onde as crianças começam a percorrer as ruas – as menores percorrem o jardim de suas casas – as brincadeiras começam. É bom ter felicidade a nossa volta. Nos envolvemos. A cirança que mora nessa casa também já está crescida. Com a mesma idade do tempo que havia passado, ela já podia ficar em jardins vizinhos com amigos, ou vice-e-versa. Sempre junto com as crianças estavam Hope e Truster. Os dois cachorros da raça dogue alemãoque a família tinha adotado. Não fizeram parte do passado doloroso, não diretamente, mas são parte do que aconteceu.
Após tanta reviravolta, os donos do antigo cão, Roy, se culparam pelo que havia ocorrido. O pai desta família o matou por engano. Sua mulher sempre lhe diz que ele entendeu o que se passou, e morreu com a alma limpa, certo de que o dono estava fazendo a coisa certa.
Ele não podia falar. Não podia expressar-se e me dizer que estava tudo bem. Me dizer que já tinha tomado conta de vocês. Era o que ele sempre dizia para sua esposa. Tudo que fiz foi apertar aquele maldito gatilho e estraçalhar o pequeno Roy. A cada dia que se passava, ele se culpava mais e mais. Decidiram então adotar dois filhotes da mesma raça – não gsotavam de usar a palavra “comprar”, diziam que não se comprava uma vida. Foi aí que surgiram os novos integrantes daquele lar. Hope, uma fêmea negra muito carinhosa, e seu irmão Truster, um macho da cor cinza totalmente desengonçado. Esse último lembrava bastante o antigo integrante da família. Além de ser acinzentado, tinha o rosto com o mesmo formato e os olhos que, tinha vezes, pareciam denunciar que ali dentro estava o bom e velho Roy. Todos adoravam aqueles dois brincalhões. Três anos de existência. Eram ainda dois bebês.
Naquele mesmo dia, começou a ventar forte. Poucas horas mais tarde, o céu já estava da mesma cor de Truster. Um cinza forte e escuro. A luz já não conseguia atravessar as nuvens e os pais começavam a chamar seus filhos para dentro de casa. Ia cair uma chuva forte.
Os cães corriam para lá e para cá. Alguns filhos de vizinhos que estavam no jardim dessa família já iam sendo buscadas pelas mães e pais. Aos poucos o bairro já estava vazio e escuro. Foram para dentro de suas casas, colocaram os dois bebês para dentro, e fecharam a tudo. Portas e janelas. O dia seguiu, e a noite caiu.

“Chovia muito aquele dia. Foi como se do nada tivesse vindo nuvens espessas e pesadas para nos banhar. Estava um dia muito bonito, e não estava calor. Foi uma das coisas que não se tem explicação. Mas que com certeza, como todos falam, trouxe junto com elas o que aconteceu.” - Dizia um dos moradores.

“Não gostamos de comentar isso. É passado. Mas entendemos que o que sabemos de cór e salteado outros não sabem. É difícil comentar algo assim, conheciamos aquelas pessoas já tinha anos. Não eram muitos, mas era sim um bom tempo. O que acontece é que muitos falam uma coisa e outros falam outra coisa. Já fomos taxados de “cidade amaldiçoada” e não ligo para isso. Não sei explicar o que aconteceu, mas não acredito nessas coisas. Acho que foi uma tragédia, nada mais do que isso. Acontece todos os dias nesse mundo.” – Outra pessoa da cidade dava seu relato.

“Eu vou te dizer o que de real aconteceu. Você acha que isso é uma mera coincidência de fatos? Veja bem, não sei se você sabe, mas essa família já estava destinada a isso. Você sabe o que aconteceu antes de se mudarem para cá? Eles não falavam nisso, até entendo, era uma coisa ruim e que queriam esquecer, mas não era preciso que contassem. No dia que colocaram o pé aqui, senti o ar se tornar pesado. Logo reconheci aqueles rostos. Principalmente o do marido. Passou no notiário há algum tempo antes de eles aparecerem. Eles tinham um cão da mesma raça antes disso tudo. O homem o matou achando que ele era o responsável pela morte do filho, esposa e empregada. Sendo que somente a empregada estava morta. Foi um engano, mas o cão não viu assim.”
"Minha avó diz que tudo já fazia parte de um plano. Estava tudo, como eu disse antes, destinado. É um jogo que acontece com muitos nesse mundo. Um jogo mau. Nos é dado um presente, e a roleta gira. Dependendo de nossa escolha, ou de mera sorte, ou nós ganhamos ou eles ganham. O que quero dizer é que o cão antigo deles enviou sua rsposta àquela traíção. Aqueles filhotes sairam do mesmo lugar que ele. Vieram do inferno. Traçaram o jogo e tiveram o resultado final.” – Mais um relato.

Quando uma pessoa vai até a cidade para saber algo à respeito do que houve, acaba escutando essas coisas. Algumas normais, outras um tanto quanto assustadoras.
Dizem que é nesse dia que o céu novamente se pesa e é quando chove como o dilúvio.
O que aconteceu naquele lugar foi que, ao amanhecer do dia seguinte àquela chuva, as pessoas saíram de suas casa normalmente. As crianças puderam brincar e os jovens andarem de bicicleta pela calçada. Mas uma família ainda permanecia trancada em casa. Após alguns dias, a polícia foi verificar o local, pois alguns familiares diziam telefonar e não havia resposta. Arrombaram a porta e o que encontraram foi chocante. O homem e sua mulher estavam mortos. A mulher no andar de cima, no corredor perto do banheiro, com o corpo completamente rasgado. O homem no andar de baixo, com a cabeça separada do corpo e algumas outras partes espalhadas. Era possível ver algumas pegadas sujas de sangue espalhadas pelo local. A dúvida não se manifestou. Com certeza os responsáveis pelo crime eram os cães.
O que mais intriga a polícia local é que, nem o corpo da criança, nem os cães foram encontrados na casa.

A mesma senhora que havia dado o último relato, ainda terminou com uma frase.
"As vezes, quando olhamos fixamente para o breu do bosque, podemos ver quatro pontos vermelho sangue. Quatro pontos que lembram olhos, dois pares de olhos, cheios de ódio e pressentindo o cheiro de morte. É nesse dia que o céu novamente se pesa e chove como o dilúvio.”

1 Comments:

Blogger andrios said...

Fiquei feliz que tenha achado o site, amigo. Atualmente estou lendo um "Pulp" do Sherloc Holmes que comprei em um camelô por 1 REAL. Boas leituras!

08:17  

Postar um comentário

<< Home