Lendas Urbanas

Em todos os lugares existem estórias que assombram pessoas. Na maioria delas, são invenções, algo para assustar crianças talvez. Mas existem aqueles que juram ser verdade e que elas surgiram após acontecimentos sobrenaturais.
Como não poderia ser diferente, eu conheço muitas. Essas estórias são chamadas de “lendas urbanas”. E aqui irei contar algumas delas.
Irei começar com uma lenda urbana vinda de Curitiba. Leio sobre isso em alguns lugares e outras me contam pessoalmente. Amigos, primos, etc. Nessa região, é claro, com certeza muitas estórias assombram jovens e crianças. Nossa mente é muito maleável. Por ali, nos arredores de Curitiba, contam que um ser – chamem de demônio ou de qualquer coisa que desejarem – rege as sombras e a escuridão. À noite as crianças que conhecem essa versão de horror entram em desespero, tendo também aquelas que ao invés de se agarrarem às mães, se juntam e saem à caça de fantasmas – eu era um desses. Uma menina de 14 anos chamada Julia – segundo informações – foi quem deu vida a essa lenda urbana.
Em uma tarde, escurecendo, todas crianças já iam para suas casas. Era a hora de jantar e se deitar para o dia seguinte. Estava uma época ruim em relação ao tempo. Era uma chuva atrás de outra, acompanhada de ventos fortes que em um quarto escuro, com uma tv ligada, fazia barulho pelo ar, o assovio do medo, e balançava árvores que estalavam seus galhos no vidro da janela que o vento mortificava. Para os mais medrosos era perturbador. De certa forma, é de uma angustia ouvir isso e pensar em coisas. O comercial de um filme de terror que será exibido naquela noite após a novela. Isso colocava imagens pregadas em mentes ingênuas. Até que, de um súbito, a chuva aumenta, forte como o dilúvio. O vento castiga logo em seguida, como se um gigante estivesse soprando com toda sua fúria sobre todos. E a luz se apaga. O medo toma conta de um corpo pequeno. Imagina que algo está por perto, o comercial vem até sua cabeça lhe atormentar, o barulho irritante e apavorante de tudo soma-se ao estado de calafrios, fazendo a boca doer de angustia por não enxergar e o corpo inteiro estremecer diante de ruídos em volta do breu. O choro é quase que imediato, junto com gritos de pavor clamando que alguém a achasse naquela escuridão sem fim. Pedindo por ajuda. Implorando por perdões por tudo que tivesse feito até agora, mesmo que não fosse totalmente culpada. Queria tranqüilidade naquele momento, queria poder não ter medo. A mãe se desespera ao ouvir os prantos da filha e pede calma a ela. Já estava indo. Acende uma vela, sobe as escadas, o choro torna-se lamurias e cessa. Ao mesmo tempo em que quando chega no topo da escada a luz volta. Olhando para o quarto, que dava de frente com o corredor, ela vê a tv fora do ar, chiando, uma cama vazia e desarrumada. Caminha em direção a porta, entra, procura pela pequena e indefesa criança que a chamava desesperadamente e encontra silêncio. O vento continua a soprar, agora mais fraco. A chuva continua a cair, mais branda. E uma alma, desde aquele dia, continua desaparecida.
As histórias dizem que o senhor da escuridão busca todas as noites por uma nova filha e que Julia foi uma das escolhidas por ele, mas que nem sempre ele leva alguém, as vezes mata ou as vezes perturba – deixando-as loucas. Histórias de outros lugares, e até países, parecem com essa, mas contadas de uma forma diferente, com outra personagem, mas que lembram demais os acontecimentos. Desaparecimento, escuridão e medo.


2 Comments:
Gustavo, realmente essa lenda é muito intrigante. Principalmente quando se trata de crianças. Acho que todo o ser, sobrenatural ou não, deveria ser brutalmente torturado e morto se abusasse covardemente de alguma criança.
Mudando de assunto, de uma olhada em meu blog e confira a continuação do conto do mestre: A Cor que veio do Espaço 2, escrita por mim e por Leonardo até agora.
Valeu!
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