Terça-feira, Agosto 30, 2005

Um encontro importante













Maldita caminhada
Aonde está você meu sábio lobo?
Preciso que tu apareças e me faças um favor
Um favor ao qual lhe serei grato eternamente
“Sim, será”
Outra vez essa voz em minha mente
Quem será?
Continuando pelo caminho de sangue e névoas eu avisto uma escadaria esculpida por entre as rochas
Ah, sim, este é meu caminho, hei de trilhá-lo!
Comecei a subir, era uma escada difícil e íngreme
Com esforço nos músculos das pernas eu me empurrei por entre ela
Com a ajuda das mãos eu me agarrava para não despencar lá de cima
Era alto, muito alto
Tão alto que se um animal qualquer, seja eu ou outro, ao chegar no chão iria espedaçar-se
É melhor não olhar pra baixo
Segui meu caminho ao alto da rocha e finalmente cheguei
Um ruído no céu me chamou a atenção
Algo voava por sobre minha cabeça
Uma ave
Não sei que ave era, mas voava feliz através deste céu rubro cheio de temores
Eu já acostumara-me com este antro de loucuras
Mas ela demonstrava uma liberdade fora de questão
Foi-se embora da mesma forma que veio, desapareceu em uma nuvem densa um pouco mais clara que o vermelho do céu
Lindo, ao menos isso, uma única visão aqui dentro tão bela
Daqui tinha que tirar pelo menos uma coisa boa
Havia de encontrado um igual, um amigo, mas a ave me dera vontade de viver
“A coruja da montanha”
Postei minha cabeça de volta a posição normal e vi quem me falava
Um senhor de idade, diria bastante idade, me olhava com as vistas cansadas
Pelo visto falava da ave que eu tinha visto
“Me chamo Tiarmephel”
Sentei-me ao seu lado e previ que teria minha primeira conversa digna neste lugar
“Sou Aziel”
“Eu sei meu rapaz, eu sei”
Sua voz era pesarosa
“Como sabe?”
“Eu sei de tudo por aqui, existo por esses cantos há muito tempo”
“Quanto tempo?”
“Nem mesmo eu saberia lhe dizer meu jovem”
“O que aquela coruja estava buscando?”
“Nada, apenas voltava para seu lugar”
“E onde é?”
“O único lugar que há coloração por aqui”
Abaixei minha cabeça e meus pensamentos foram, ao contrário de quando vi a ave, coruja segundo o velho, de solidão
“Nem tudo está perdido meu rapaz”
Olhei de volta pra ele
“A coruja da montanha voa. O sábio lobo percorre os montes. Lhair rasteja pelo sangue dos soterrados. Você, bem, você meu jovem, segue com vida por entre o rubro de meu lar”
Continuei a fitá-lo sem esperanças
“As coisas seguem seu fluxo, não é? Mas o fluxo pode mudar de rumo, se um fator desse fluxo for forte o suficiente para fazê-lo”
Eu franzia cada vez mais a testa
Eu estou em desespero e ele me vem com enigmas!
Tudo bem, ele só quer ajudar, é o que parece
“Tenho que ir, compromissos a cumprir”
Desencostei-me da pedra que tinha postado minhas costas e despedi-me do senhor
Ele foi caminhando para o lado do penhasco
Ia descer pela escada
Mas seria perigoso para a sua idade
Ele já ia sumindo pelo degraus quando eu me locomovi em sua direção
Ao chegar para ajudá-lo ele não estava mais lá
Sumira, como todos que eu já tinha visto ali
Um uivo novamente cortava o ar
Olhei em volta e não vi nenhum sinal de lobo
O uivo não estava longe
Fui seguindo por onde achei que devia ter vindo
Este lugar possuía uma certa claridade
Não tinha um sol, nem uma lua, mas tinha os pontos luminosos
E reparei que minha sombra não era projetada no chão, que agora não possuía mais a fétida névoa
Estranho, será que isso é normal? Nunca havia reparado
Deixei para lá e continuei seguindo minha intuição
Algo me dizia que o lobo estava por ali, em frente
Uma coruja que voa feliz para as montanhas
Um velho que me fala alguns enigmas
Um lobo que é sábio e me chama por uivos
Um igual que para me ajudar se dissolve para a névoa
E uma forma, que não defini como homem ou mulher, cujo nome parece ser Lhair, rasteja pelo sangue dos soterrados...
É, parece que se eu morresse hoje teria visto de tudo

1 Comments:

Blogger andrios said...

Olá Gustavo. Bem, acho que temos algumas idéias diferentes. Eu não tenho a certeza completa de minha teoria, porém, é algo que se demonstra verdadeira a cada dia que passa. Deixando de lado essas teorias um pouco, dê uma olhada no meu blog, postei um conto novo lá e se puder, leia. Seus contos realmente são impressionantes caro amigo. Continue assim.

Valeu!

Andrios

08:23  

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